Category Archives: Music

clandestinos

clementina

Cartola e seu Pai – O Mundo é um Moinho

Ainda é cedo, amor.
Mal começaste a conhecer a vida,
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

Preste atenção, querida,
Embora eu saiba que estás resolvida.
Em cada esquina cai um pouco tua vida.
Em pouco tempo não serás mais o que és. Ouça-me bem, amor.

Preste atenção, o mundo é um moinho.
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
Vai reduzir as ilusões a pó.

Preste atenção, querida.
De cada amor tu herdarás só o cinismo.
Quando notares estás à beira do abismo.
Abismo que cavaste com teus pés.

A rough translation:

It’s still early, love.
You’ve barely started to know life,
You already announce the hour of departure
Without even knowing the direction you’ll take.

Pay attention, dear,
Although I know that you made up your mind
In each corner falls a little your life
Soon you’ll no longer be what you are. Listen carefully, love.

Pay attention, the world is a mill.
It will grind your paltry dreams,
It will reduce your illusions to dust.

Pay attention, dear.
From each love, you’ll inherit only cynicism.
When you notice, you’re at the edge of the abyss.
Abyss you dug with your own feet.

Zé Keti

an excerpt from Nelson Pereira dos Santos’ Rio, Zona Norte

je suis pas le bienvenue

feeling uneasy in your country of residence? écoute:

[audio:http://http://ignatz.tv/flaneur/audio/je_ne_suis_pas_le_bienvenu.mp3]

je_ne_suis_pas_le_bienvenu.mp3

Música es Cultura, 1967

Here’s Edo Lobo and Marilia Medalha in 1967, singing Ponteio. (It’s the era of the Dictatorship and this is the last protest song to win a national competition.) The audience can hardly bear it.

This same year, Caetano Veloso, placed 4th with Alegria, Alegria.

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou…
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou…
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot…
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou…
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não…
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou…
Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou…
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil…
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou…
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou…
Por que não, por que não…
Por que não, por que não…
Por que não, por que não…
Por que não, por que não…

Gilberto Gil, here accompanied by Os Mutantes, took second prize at the same festival, the last of the uncensored music festivals. (Ostalgie: how wonderful to remember a poet’s words mattered enough to silence.) Here’s Domingo No Parque. Tropicália is born; the audience is confused; the dictatorship is having none of it.

Ponteio lyrics
Era um, era dois, era cem

Era o mundo chegando

E ninguém
que soubesse que eu sou violeiro

Que me desse amor ou dinheiro


Era um, era dois, era cem

Vieram prá me perguntar

E você: – de onde vai, de onde vem?

Diga logo o que tem prá contar


Parado no meio do mundo

Senti chegar meu momento

Olhei pro mundo e nem via

Nem sombra, nem sol, nem vento

Quem me dera agora eu tivesse a viola prá cantar

Prá cantar



Era um dia, era claro, quase meio

Era um canto calado, sem ponteio

Violência, viola, violeiro

Era a morte ao redor, mundo inteiro


Era um dia, era claro, quase meio

Tinha um que jurou me quebrar

Mas não lembro de dor nem receio

Só sabia das ondas do mar


Jogaram a viola no mundo

Mas fui lá no fundo buscar

Se tomo a viola, ponteio

Meu canto não posso parar, não


Quem me dera agora
eu tivesse a viola
prá cantar

Era um, era dois, era cem

Era um dia, era claro, quase meio

Encerrar meu cantar, já convém

Prometendo um novo ponteio


Certo dia que sei por inteiro

Eu espero não vá demorar

Esse dia estou certo que vem

Digo logo que vem pra buscar


Correndo no meio do mundo

Não deixo a viola de lado

Vou ver o tempo mudado

E um novo lugar pra cantar


Quem me dera agora
eu tivesse a viola pra cantar

Prá cantar


Finally, here’s the irrepressible twenty-two year old Elis covering Lobo/de Morae’s Arrastoa

ARRASTÃO by Edu Lobo e Vinícius de Moraes

Eh! tem jangada no mar
Hei! hei! hei!
Hoje tem arrastão
Eh! todo mundo pescar
Chega de sombra João…

Jovi, olha o arrastão
Entrando no mar sem fim
Eh! meu irmão me traz
Yemanjá prá mim…(2x)

Minha Santa Bárbara
Me abençoai
Quero me casar
Com Janaína..

Eh! puxa bem devagar
Hei! hei! hei!
Já vem vindo o arrastão
Eh! é a Rainha do Mar
Vem!
Vem na rêde João

Prá mim!…

Valha-me Deus
Nosso Senhor do Bonfim
Nunca jamais se viu
Tanto peixe assim…(2x)

Minha Santa Bárbara
Me abençoai
Quero me casar
Com Janaína..

Eh! puxa bem devagar
Hei! hei! hei!
Já vem vindo o arrastão
Eh! é a Rainha do Mar
Vem!
Vem na rêde João

Prá mim!…

Valha-me Deus
Nosso Senhor do Bonfim
Nunca jamais se viu
Tanto peixe assim…(3x)

Mamatschi (P.G.R. Bruno S.)

The NYT piece is here



Mamatschi lyrics translated into English

There was once a small boy
Who begged so treacly
Mummy, give me a little horse
A little horse would be my paradise
So the small boy got
A pair of gray horses made of marzipan
And he looks at them, cries and speaks:
“I did not want these kind of horses”

Mummy, give me a little horse
A little horse would be my paradise
Mummy, I did not want these kind of horses

Time passed, the boy wished
Nothing more but a horse from Santa Claus
Then Father Christmas visited him
And gave him what he wanted
On a table stand proudly
Four horses made of varnished wood
And he looks at them, cries and speaks:
“I did not want these kind of horses”

Mummy, give me a little horse
A little horse would be my paradise
Mummy, I did not want these kind of horses

And many years passed
The small boy became a man
Then one day before the gate
Stopped a glorious team of horses
In front of a colorful carriage stood
Four horses, richly decorated and beautiful
They took away his beloved mother
There he was reminded of his youth

Mummy, give me a little horse
A little horse would be my paradise
Mummy, threnodic horses I did not want

man from the holler

This man had been in the Klan when young. Later, he supported the candidacy of Obama, opposed the Iraq war, and never soured into the mean-old-useta-be-democrat, southern-i-challenge-you-to-a-duel-coot like o.g. cracker Zell Miller. Lyndon Johnson, in passing the Civil Rights Act, said white American southerners were going to become Republicans and they did. Reagan announced his candidacy in the same county that freedom riders had been murdered, speaking the racist shibboleth “states rights”. Byrd never lost the country even as he quoted Pericles, as we see below:

We wish to point to others who played a different game:

and let’s not forget the roots of Sister Sarah:

music from soroti & elsewhere

hotel

a friend from Soroti, Uganda, AKURE Ben, sent some music he’s been making.

ben’s remix
this life is strange by cosmic era

some other people we’ve been listening to lately:

manel, from madrid; cocorosie, always odd; oxmo puccini, tipping his hat; laura marling, a great new singer-songwriter from the UK; , orishas, still slumming in parigi; and for you manu chao fans, a cover version of clandestino by Adriana Calcanhotto. Plus, two cues from Rim K Presente – Maghreb United Kery James & Rim K.

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